• Por Maria Rita Werneck

Marighella: herói ou terrorista?


Histórico. Foi assim que o ex-candidato à Presidência da República e coordenador do Movimento dos Trabalhadores sem Teto, Guilherme Boulos, definiu como será a estreia do filme Marighella, no Brasil. Através de um tweet, ele afirmou que o diretor do longa, o ator Wagner Moura, reafirmou que o lançamento da produção no país será em uma ocupação do MTST.

Antes mesmo de estrear no circuito comercial brasileiro, a cinebiografia, que conta os cinco últimos anos de vida (1964-1969) de Carlos Marighella, líder e símbolo da revolução contra a Ditadura Militar no Brasil morto por agentes do Estado brasileiro em 1969, já rendeu algumas polêmicas. A primeira surgiu quando o filme foi apresentando no Festival de Berlim, na semana passada, sob aplausos calorosos e gritos de "Lula Livre" e "Ele Não" ao fim da sessão. Os protestos encabeçados pela plateia repercutiram no Brasil, provocando nas redes sociais comentários de apoio e repúdio às manifestações. 

Durante uma coletiva de imprensa ainda na 69º Festival Internacional de Cinema de Berlim, o estreante diretor Wagner Moura, afirmou que o filme Marighella não se trata de uma resposta a Jair Bolsonaro e ratificou que o início das produções começou em 2015, pós impeachment da Presidente Dilma Roussef.

Seria Carlos Marighella um herói ou um terrorista? Essa não é a pergunta do longa cujo o roteiro é inspirado na biografia " Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo", escrita pelo jornalista Mário Magalhães. No entanto, algumas críticas internacionais consideram a narrativa do filme um pouco mitológica no que tange a personalidade do ex-líder do Partido Comunista Brasileiro.

Para alguns jornais da Alemanha, o heroísmo conduz a narrativa de Moura sobre a figura de Marighella. No último dia 19, cinco dias após o Festival de Berlim, a Folha de São Paulo divulgou críticas da imprensa alemã sobre a cinebiografia através de um artigo assinado pela Deutsche Welle (emissora internacional de jornalismo independente da Alemanha). Segundo esse material,  o jornal berlinense TAZ afirmou que a intenção do longa é transformar Carlos Marighella em mito, ao mesmo tempo, que para a rede de televisão pública RBB, o filme é uma "epopeia cansativa". 

Amado ou odiado, Marighella é um personagem da história brasileira que ganha vida no cinema através do cantor e compositor Seu Jorge, companheiro de elenco de outros grandes nomes como  Adriana Esteves, Bruno Gagliasso e Humberto Carrão. A data da estreia no circuito comercial ainda não foi divulgada.

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