• Por Maria Rita Werneck

Lollapalooza Brasil tem gigante no palco e uma pequena decepção na noite de estreia


Lollapalooza Brasil 2019 deu start. Ontem foi o primeiro dia do festival que chega a sua oitava edição no país, trazendo grandes nomes. Já na primeira noite, um lineup revelou que este ano Perry Farrell (vocalista do Jane's Addiction e fundador do Lolla) e sua equipe não estão de brincadeira.

Nessa sexta-feira, foram 24 atrações divididas em 4 palcos. Sob uma grande estrutura, o festival prometia estrear com pé direito e estreou. O sol já não estava tão forte quando Troye Sivan subiu ao palco Adidas. Mesmo assim, o jovem cantor, entre uma canção e outra, comentou sobre o calor brasileiro e afirmou o seu amor pelo país. Um dos pontos mais altos na apresentação foi durante a música "Heaven". Nascido na África do Sul, mas criado na Austrália, aos 23 anos, Sivan se tornou uma importante voz da causa LGBT e no Lolla ele deixou o seu recado, dizendo que apesar do mundo ser odioso para os gays, eles têm uma força "inacreditável". Completou dizendo que quando ele vê a plateia, ele acha que tudo vai ficar bem. O público respondeu com muitos aplausos e protestos contra o Presidente Jair Bolsonaro.

O Foals chegou ao Lollapalooza com um disco novo na praça e a ausência de Walter Gerves, baixista e fundador da banda. O repertório do show dos ingleses teve muitas músicas do novato "Everything Not Saved Will Be Lost Part 1" e uma descidinha à plateia do vocalista Yannis Philippakis. Depois do Foals, foi a vez dos Tribalistas subirem ao palco Budweiser . Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes marcaram presença no primeiro dia do Festival com grandes sucessos do trio e novas composições que marcam a volta dos amigos, depois de um hiato de 16 anos. Pequenas falhas no som nas duas primeiras músicas não afetaram a energia da banda nem a do público que cantou, por exemplo, "Pé em Deus, Fé na Tábua", do primeiro disco, em coro. Com a voz mais afinada do que nunca, Marisa Monte apresentou canções do repertório próprio, como "Universo ao Meu Redor", do disco homônimo a faixa.

No palco, uma mulher, uma guitarra e a até agora uma das melhores apresentações do LollaBr 2019. St. Vincent provou, mais uma vez, porque é considerada uma das maiores surpresas artísticas dos últimos anos. Assistir essa norte-americana é ter experiências sensoriais diversas e inesquecíveis. A audição é levada por uma mistura do eletrônico com a virtuosidade da guitarra. É quase impossível não ficar hipnotizado por esta mulher que sozinha sustenta uma apresentação que em nenhum momento passa pelo marasmo. Annie Clark (nome de batismo dessa força da Natureza) trouxe ao festival um repertório trabalhado no seu recente álbum, "Masseduction" e afirmou que é possível misturar riffs com samples sem ser repetitiva. Visualmente, o espetáculo é outro ponto que conquista. No centro do palco minimalista, apesar das projeções vibrantes, St. Vincent se tornou a gigante da noite e colocou seu nome da história do festival. Ah!!! Teve uma graciosa homenagem a cidade de São Paulo. A guitarrista e cantora colocou o nome da capital paulista em um dos trechos da canção New York, New York. Arremate final!!!

Já no palco Onix, um britânico muito carismático e com uma voz inabalável deixou o Autódromo de Interlagos uníssono. Sam Smith cantou grandes sucessos da carreira, apresentando já na segunda canção o hit "I'm not the Only One". A plateia era formada por fãs apaixonados que se derretiam ainda mais quando declarava seu amor ao Brasil. Um grande destaque do show foi a banda que o acompanhou. Os músicos totalmente groovados ao lado dos quatro backing vocals davam o mais luxuoso suporte musical para o compositor que tem uma das vozes mais privilegiadas do momento. Outro ponto alto foi o momento que ele cantou "Promises", uma parceria com Calvin Harris. O local se transformou numa verdadeira balada, que teve cicerone um cantor extremamente feliz.

Já o show do Arctic Monkeys empolgou, mas deixou a desejar. Apesar do grupo liderado por Alex Turner ter sido o headline da noite e ter levado grandes hits ao palco Budweiser, muita gente saiu da arena antes do final do show por causa do repertório cansativo. O grupo britânico começou muito empolgante com " Do You I Wanna?" e "Brianstorm", mas a partir do meio da apresentação, quando entraram no repertório do novo disco, "Tranquility Base Hotel & Casino" as coisas começaram a esfriar. Quem esperava ver a energia dos primórdios da banda, se decepcionou. O grupo manteve uma postura de palco impecável, com o vocal de Turner afiado e simpático e a bateria de Matt Helders pulsante. Mas, depois de algumas cervejas, o que a galera quer mesmo é pular, fato que aconteceu pouquíssimas vezes e, principalmente, durante os grandes hits. Falando em hits, eles não tocaram "Fluorescent Adolescent". Dá para acreditar?


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