• Por: Maria Rita Werneck

Último dia do Lollapalooza é encerrado com explosão no palco principal e estreia de uma diva


Não precisa se preocupar porque a explosão no palco Budweiser não teve fogo nem feridos e sim, uma detonação formada pela potência de quatros rapazes vindo de Michigan, EUA. O Greta van Fleet apresentou no último dia do Lollapalooza Brasil um dos maiores shows desta edição. Com uma estética sonora e visual à la anos 60/70, os irmãos Josh, Sam e Jake Kiszka ao lado do amigo Danny Wagner trouxeram o bom e clássico Rock n' Roll ao Autódromo de Interlagos.

A força vocal de Josh - que entrou no palco jogando flores brancas para o público - e as habilidades instrumentais dos outros três integrantes conquistaram a plateia que cantou quase todas as músicas enlouquecidamente. Fazia tempo que eu não via uma plateia, em um festival pop/rock, tão conectada com uma banda. Veja a reação das pessoas na música "The Cold Wind".

As comparações com o Led Zeppelin são inevitáveis porque o estilo do quarteto e o timbre de Josh traz muito à memória o ex-grupo de Robert Plant. Mas o palco Budweiser hoje recebeu não uma cópia, mas uma banda talentosa, dinâmica e carismática. No repertório, músicas do EP "From the Fires" (único na história a receber um Gammy como Melhor Disco de Rock, em 2019) e do álbum "Anthem Of The Peaceful Army", lançado no ano passado.

Antes do Greta, quem se apresentou foi o grupo Interpol que teve a apresentação tão cinza quanto o cinza do céu da região da Zona Sul. Os norte-americanos, que não se apresentavam no Lolla Brasil desde 2015, não trouxeram novidades para esta volta, mantendo seu rock melancólico de alto nível. Já o Twenty One Pilots, a banda seguinte a se apresentar no palco Onix, fez completamente o contrário. Enquanto o grupo de Paul Banks foi minimalista, a dupla Tyler Joseph e Josh Dun chegou 'para causar'. Munidos de uma produção que contou até com um carro em chamas, o duo levou o público ao delírio.

Mais cedo, durante a tarde, as atrações nacionais também fizeram bonito e encheram a gente de orgulho. Primeiro, vamos falar da cantora carioca Letrux. A dona do hit " Que Estrago", como sempre, fez um show muito performático e não deixou de lado a política. No dia que completou um ano da prisão do ex-Presidente Luis Inácio Lula da Silva, a loira puxou coro a favor do político, homenageou a vereadora assassinada Marielle Franco e agradeceu quem chegou cedo e pagou ingresso para prestigiar uma banda nacional.

Gabriel O' Pensador também fez presença no último dia do Lolla - e que presença. Em pleno sol das três da tarde, o rapper carioca relembrou antigos sucessos como "Tô Feliz (Matei o Presidente)", música do seu disco de estreia e que abriu o show depois da frase "Vamos acabar de matar o presidente do Brasil", uma adaptação para a letra da década de 90, que sempre está sendo atualizada. Desta vez, o presidente em questão foi o Michel Temer. Recebeu vários convidados no palco e fez uma homenagem ao cantor Chorão, cantando "Zóio de Lula". Pensador sempre foi conhecido por ser um compositor que faz das suas letras diretas crônicas da sociedade brasileira. Quando o índio Galdino Jesus dos Santos foi queimado vivo em um ponto de ônibus de Brasília, em 1997, ele compôs Cachimbo da Paz, por exemplo. Esta música e "Até quando?" foram pontos altos da apresentação.

Após Pensador, eis que chega a estreante do festival mais aguardada do dia: Iza. A cantora carioca "chegou chegando" com um discurso de empoderamento feminino que foi muito aplaudido por uma plateia que gritava "Diiiiiva", toda vez que ela aparecia no telão com seu maiô preto e a simpatia de sempre. A dona dos sucessos "Pesadão" e "Ginga" estava muito à vontade com a apresentação que contou com a participação de Marcelo Falcão (O' Rappa). Fez cover de Lady Gaga e Rihanna e emocionou o público com trecho do clássico discurso de Martin Luther King Jr., "I Have a Dream" . Destaque para o trio de backing vocals que dividiram com a musa a canção "Hit the road Jack!"

Fechando o festival a atração internacional Kendrick Lamar, o rapper do momento. A base do repertório foi o disco "Damn", vencedor do Grammy 2018 como Melhor Disco de Rap. De "All the Star" (trilha do filme Pantera Negra) à "Love", o público transitou pelas canções do americano que faz da sua música um instrumento de luta e resistência contra o racismo.

O dia ainda contou com as apresentações de Years & Years com seu pop eletrônico muito bem cantado pelo britânico Olly Alexander; o rapper brasileiro BK que trouxe engajamento social, diversão e romance em suas letras; A MPB, Funk e Rapp do grupo Aláfia, que também que não abriu não do discurso político; E a Terra Nunca me Pareceu tão Distante que também estreou no Lolla Br e apresentou um repertório que traz nos arranjos autorais surpresas a cada minuto. Luiza Lian e Rufus Du Sol e as atrações eletrônicas do Palco Perry´s by Doritos completaram a grade da programação.


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