• Por: Maria Rita Werneck

Greta van Fleet aos poucos começa a fazer sua história


“Olê, olê, olê, olá...Greta, Greta”. Esse era o grito da plateia minutos antes de começar o show do Greta van Fleet, um dos mais esperados desta edição do Lollapalooza Brasil. Era sinal que a ansiedade de vê-los no palco já não cabia dentro de cada um. Era preciso extravasar a expectativa gerada em torno desses meninos de Michigan que não têm nem 25 anos de vida, mas que estão conseguindo marcar a fase mais contemporânea do rock.

Com apenas dois EPs e o disco “Anthem Of The Peaceful Army”, lançado no ano passado, os três irmãos Sam (baixista), Josh (vocal) e Jake (guitarrista) - sendo esses dois gêmeos, ao lado do amigo Danny Wagner (baterista), enfrentam um dualismo entre o amor e ódio por parte do público. A semelhança com o Led Zeppelin tem sido um fardo neste início de carreira, mas parece que eles não estão ligando muito para o que dizem e seguem com o estilo que lhes tirou do anonimato na cidade de Frankenmuth. As críticas antagônicas que os reduzem a meros imitadores do Zeppelin, ao mesmo tempo que os exaltam como “a salvação do rock” , parecem não intimidar os “xovens”. O guitarrista Jake, em algumas entrevistas, afirmou não acreditar nessa história que eles são o oxigênio do rock n' roll e também se declara honrado quando são confundidos ou associados ao clássico grupo inglês.

Ontem, no palco Budweiser, do Lollapalooza, o público presente teve a oportunidade de verificar o que esses garotos têm que está movimentando o mundo do rock como há muito tempo não acontecia. Além do fato de se tratar de músicos talentosos apesar da pouca idade, vê-los subirem ao palco apenas com seus instrumentos plugados, uma forte bateria e uma potente voz, já leva qualquer fã roqueiro ao delírio, devido a escassez do estilo ser apresentado dessa forma simples por uma de garotões.

Hoje em dia, o estilo ´Classic Rock´ tem ficado para trás porque a maioria dos novos grupos misturam esse estilo com outras vertentes, tendências. Isso não é ruim. A diversidade tem que existir em todos os espaços, inclusive na música, mas o ponto é: quem gosta de “roquenrrow” tradicional, apenas com guitarra, baixo e bateria o que faz? Se mantém refém das produções antigas ou parte para as novidades, mesmo que essas apresentem fortes influências daqueles que influenciaram todo mundo, como fica claro nas músicas “Safari Song” e “Talk On The Street”, sendo esta uma gostosa lembrança da banda Heart devido aos vocais de Josh lembrar o timbre da incrível Ann Wilson.

Em 2014, Alice Cooper disse em uma entrevista ao site Fuse que as bandas daquela época eram uma ofensa ao rock e que os artistas tinham medo de fazerem parte de uma banda roqueira e, ainda acrescentou: “eu acho que essa nova geração precisa comer mais carne [...] ter um pouco de sangue correndo em suas veias”.

Bom, eu não sei se o GVT é vegetariano ou não, mas a impressão que ficou após a primeira apresentação em São Paulo é que eles sabem muito bem o que estão fazendo e na minha opinião é puro Rock.

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