• Por: Maria Rita Werneck

Eminência Parda - golpe na jugular do racismo brasileiro


Dois dias depois que o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, declarou em uma entrevista à apresentadora Luciana Gimenez que “o racismo é uma coisa rara no Brasil”, o novo videoclipe do rapper Emicida é lançado trazendo uma necessária abordagem sobre o preconceito racial no país. E aí? Quando você vê uma família negra em um restaurante de ‘granfino’ como você reage a essa situação?

No clipe do single ‘Eminência Parda”, a família negra, formada por um casal pais de um rapaz e uma moça, vai jantar em um restaurante chique, onde só tem brancos (o único negro no local além deles é o segurança que abre a porta do estabelecimento), para comemorar a formatura universitária da jovem com planos de intercâmbio. Desde a entrada, todos olham para eles com cara de desprezo, deboche. Enquanto o jantar acontece, o imaginário individual dos clientes incomodados revelam como o preconceito contra o negro pode se manifestar de diferente maneiras no Brasil.

Os pensamentos sobre a família os colocam como moradores de rua, usuários de drogas, assaltantes e funcionários do restaurante. O olhar aliciador de dois homens bem mais velhos do que a jovem traz a objetificação sexual da mulher negra. No clipe, eles se tornam pela própria imaginação clientes da moça que vira para eles uma garota de programa. Mais uma vez, ela estava alí, com seus pais e irmão, para comemorar um diploma, conquista que seu pai afirma: “essa ninguém tira de você”.

Dirigido por Leandro HBL, o clipe contorce até quebrar qualquer estrutura que ainda insiste em afirmar que não existe racismo no Brasil e que o ativismo negro é “mimimi”. O vídeo traz participações especiais, como Dona Onete cantando trechos do segundo “O Canto dos Escravos”, os rappers Jé Santiago e Papillon. Tudo é muito bem construído, desde o nome “Eminência Parda” (que em determinada situação significa o poder de um sujeito mesmo que ele não seja governante supremo), passando pela a fonte usada no título da produção (Cooper Black, associada a Movimentos Negros) até o final que foi mudado depois dos assassinatos do músico Evaldo Rosa dos Santos, com mais de oitenta tiros deflagrados por soldados do exército brasileiro, quem também mataram o catador de materiais recicláveis Luciano Macedo.

Veja abaixo o clipe de “Eminência Parda”, mais uma obra que mostra que arte também é uma forma de Resistência!!!!

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