• Por: Maria Rita Werneck

Bohemian Rhapsody ganha noite clássica em São Paulo


A casaca do maestro deu lugar para a calça jeans e a camisa preta escrita Queen. Já o solo de guitarra abriu espaço para o do violino, que reproduziu as fascinantes notas e precisos riffs de Brain May. O Allianz Parque, na noite de ontem, recebeu um dos maiores espetáculos musicais que o estádio já viu. O concerto Bohemian Rhapsody ,realizado pela Orquestra Petrobrás Sinfônica (OPES), trouxe uma versão inédita clássica da trilha sonora do filme homônimo lançado no ano passado que conta a trajetória da banda Queen pelo prisma da vida de seu vocalista, Freddie Mercury.

Sob a regência de Felipe Prazeres e arranjos de Alexandre Caldi, 31 músicos apresentaram 13 canções. A noite começou com Another One Bites The Dust, música do oitavo disco do grupo - “The Game” (1980), o mais pop dos 14 álbuns lançados por eles. Ao longo de 21 anos de carreira, mais de 300 milhões de discos foram vendidos em todo o mundo e o nome, definitivamente, marcado na história da música mundial.

Durante a abertura do concerto, que faz parte de uma série de iniciativas da OPES para popularizar a música clássica e renovar o público do gênero, o maestro Felipe Prazeres definiu o projeto que já apresentou canções do Pink Floyd como uma maneira de mostrar o “universo da orquestra”, em todas as suas diversidades. O que ele queria dizer e demonstrou é que os instrumentos podem ser levados para qualquer instância da música, reproduzindo sons que antes muita gente nunca imaginou que seriam possíveis ver em um concerto. Ontem, por exemplo, um dos violoncelos era elétrico com direito a distorção e tudo!

No palco o oboé, as vezes, era a voz de Freddie Mercury. Na plateia, o público tentava chegar no tom altíssimo do roqueiro morto em 1991 e até hoje considerando um dos maiores cantores de todos os tempos. Uma dessas vozes era a do Guilherme, de 7 anos. “We are the Champions” era uma das músicas que ele queria ouvir e ao lado dos pais, os jornalista Juliana Nakamura e Ubiratan Leal, o pequeno que estuda música clássica, teve a oportunidade de ver como uma orquestra funciona. Ao ser perguntada sobre este projeto da OPES, Nakamura (que é fã do Queen “desde sempre”) afirmou que ele “é importante para aproximar as pessoas que não tem tanta familiaridade” com o gênero, o tornando mais acessível.

O Queen sempre foi uma banda de rock que dialogou bastante com a música erudita. Taí o disco A Night At The Opera (1975) que não me deixa mentir. Ele se tornou um marco na carreira do grupo porque apresentou ao mundo influências sonoras nunca antes usadas por roqueiros, estando o clássico muito bem dosado com o heavy metal. A faixa The Prophet’s Song é um exemplo do que estou dizendo. Bohemian Rhapsody, um dos rocks mais eruditos deste planeta, é desse álbum também e a sua execução no concerto foi algo quase que sinérgico. A composição deu aos britânicos o estrelato e quebrou paradigmas nas rádios. Poucas músicas com mais de 5 minutos tocam nesses veículos de comunicação, sem ser de madrugada, com tanta frequência até hoje.

Radio Ga Ga foi uma das canções reapresentadas no bis, ou melhor, nos três bis. A icônica composição dos britânicos ao ser reproduzida pelos músicos de Prazeres, por um instante, transformou o o Allianz Parque naquele Wembley Stadium de 12 de julho de 1986, onde mais de 200 mil pessoas assistiram ao show emblemático do Queen no local e durante a mesma música bateram suas mãos no refrão deste sucesso que nasceu a partir de uma brincadeira de palavras do filho de Roger Tyler. Vale lembrar que o dia do rock é comemorado em 12 de julho por causa deste evento, devido a sua relevância.

A Orquestra Petrobras Sinfônica completa esse ano 46 anos de fundação e além dos trabalhos realizados pelo Brasil e em todo mundo com temas eruditos, há, alguns anos, ela se apresenta com repertórios mais populares e inusitados. Depois do Queen, a OPES levará ao Allianz Park, hoje, às 19h30, o icónico Black Album do Metallica.Este espetáculo continua sob regência de Felipe Prazeres, mas desta vez os arranjos são assinados por Ricardo Candido.

Bom Espetáculo!!!!

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