• Por: Maria Rita Werneck

Weezer faz primeiro show no Brasil depois de 14 anos


O Weezer estava divulgando Make Believe, quinto álbum da banda, quando passou pela primeira vez no Brasil, em 2005, para um único show em Curitiba. De lá para cá, não voltaram e muita coisa aconteceu com o grupo – inclusive a morte de um integrante, o baixista Mikey Welsh, em 2011. Agora, para divulgar não só um mas dois álbuns, os californianos subiram ao palco do Itaipava de Som a Sol, no Ginásio do Ibirapuera (SP) para deleite dos fãs.

A primeira música do setlist repleto de sucessos foi “Buddy Holly”, o grande "boom" da banda que a colocou no topo das paradas, muito impulsionados pelo clipe que era, exaustivamente, transmitido pela MTV (ô, saudade!). Um momento de encontro de gerações explosivo. O Marcos Franco lembra bem de quando foi lançado o primeiro disco dos caras, Weezer (mais conhecido com The Blue Album), fase inesquecível para o coordenador de empreendimentos imobiliário. Ele lembra: "eu tenho 44 anos e o melhor verão da minha vida foi quando o Weezer lançou o álbum azul e desde sempre foi uma das minhas bandas preferidas e esse moleque cresceu ouvindo o Weezer", apontou para o filho de 21 anos, o estudante de arquitetura, Paulo Henrique de Oliveira Franco que chamou de "fantástico" poder ver Rivers Cuomo e cia ao vivo.

"é emocionante [assistir o show], ainda mais que tem toda uma história. Meu pai não conseguiu ir na primeira vez que eles vieram e agora é uma oportunidade incrível."

(Paulo Henrique de Oliveira Franco)

Há 27 anos quando surgiram, o Weezer era representante do rock alternativo e sobrevivente à grande tsunami musical chamada Grunge. Tendo como colegas de gravadora (Geffen Records) o Nirvana - que surfava na crista da onda com Nevermind. Deve ter sido mesmo uma grande surpresa para todos, inclusive para eles próprios, que o disco de estreia The Blue Album fosse um dos mais bem sucedidos de 1994.

Claro que "Island in the Sun" não poderia faltar e ela foi acompanhada em coro. Infelizmente, a versão acústica da canção, executada entre outros shows dessa turnê não foi levada a São Paulo, tendo como o mais próximo de um "unplugged" 'a capela' do início de “Buddy Holly”, retomada mais para o final do show. Do repertório autoral, o público ouviu "My name is Jonas", "Happy Together" - com uma breve inserção de "Longview do Greenday - e "The End of the Game", canção que faz parte do Van Weezer, disco de metal da banda já anunciado para o ano que vem.

Esse ano o grupo lançou dois discos. O primeiro chamado de Teal Weezer é um trabalho especial que surgiu (in) diretamente a partir de um pedido de uma fã no Twitter. Ela, após ouvir na série Stranger Things a clássica música dos anos 80 "Africa" (Toto), teve a ideia de fazer uma campanha para que o Weezer a gavasse. Depois de relutarem um pouco, eles não só gravaram essa canção como decidiram fazer um álbum só de covers. Boa parte dessa experimentação (que ficou bastante legal, diga-se de passagem) foi apresentada na noite. Paranoid (Black Sabath) - cantada pelo guitarrista Brian Bell e Take on Me (Ah-ha) estavam entre as escolhidas. Mas, um dos maiores momentos, com certeza, foi na hora de Lithium (Nirvana), que nessa semana completou 28 anos de lançada com o icônico Nevermind.

Muito simpático, Rivers Cuomo se comunicou com a plateia várias vezes em português. "Vai galera" era uma das frases preferidas do cantor e guitarrista que mostrou que o tempo em nada prejudicou sua voz e habilidades com o instrumento. Embaixo da jaqueta jeans cheia de bordados, ele vestia uma camisa da Fall Out Boy, banda que, ao lado do Weezer e Greenday, fará parte da Hella Mega Tour, turnê que acontecerá entre junho e agosto de 2020, pela Europa e EUA (venham para o Brasil, pfv!).

A primeira noite do festival Itaipava de Som a Sol foi encerrada com "Say it ain't So", outra canção também do Álbum Azul. Você que não acompanha muito o trabalho do Weezer pode estar se perguntando o porquê de tantos discos batizados com cores, não é? Essa história começou com os fãs que no primeiro registro de estúdio deram o codinome blue. A banda gostou da ideia e desde então, ao todo, são 5 discos: Weezer - The Album blue (1994), Green (2001), Red (2008), White (2016) e Black (2019). Sobre esse mais recente trabalho, em entrevista ao Destak, o guitarrista Brian Bell explicou o motivo da escolha do preto para o 13º disco da banda. Segundo ele, essa coloração representa o “lado obscuro de Los Angeles” cantado nas faixas.

Além de Rivers Cuomo e Brian Bell (guitarra), , o Weezer é formado também por Patrick Wilson (bateria) e Scott Shriner. No auge de quase três décadas de carreira, a banda se mostrou ontem muito conectada entre si e com a plateia formada em sua maioria por fãs "das antiga". Outro dia eu li o termo "rock geriátrico", sendo usado para bandas que não assumem o passar dos anos e acabam se apresentando como caricaturas de si próprias. Este, definitivamente, não é o caso deles. Musicalmente estão tinindo e proporcionando um espetáculo grandioso que respeita a essência mais comedida do grupo. Valeu a pena esperar 14 anos para vê-los.

Agora os caras seguem para o Rio de Janeiro onde se apresentam no mesmo palco dos amigos do Foo Fighters, no Rock in Rio, no dia 28/09. Também no Palco Mundo estarão Tenacious D (banda de Jack Black e Kyle Gass) e CPM 22 + Raimundos. Será que por lá, Dave Grohl dividirá "Lithium" com o Weezer?

Depois do show do Weezer, a primeira edição do festival Itaipava de Som a Sol ainda traz na programação Dave Matthews Band (hoje, 27), Seal (29), Nickelback (03/10) e Black Eyed Peas (04/10). Ingressos disponíveis aqui.

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