• Por: Maria Rita Werneck

Biografia de Raul Seixas traz suposta delação do roqueiro que levou Paulo Coelho à prisão da Ditadur


Com previsão de lançamento para o próximo dia 1°, o livro "Não diga que a canção está perdida" - uma biografia de Raul Seixas escrita por Jotabê Medeiros – já causa polêmica.

Tudo começou hoje, quando Paulo Coelho tuitou:

“Fiquei quieto por 45 anos. Achei q levava segredo para o túmulo”

O referido segredo é a possibilidade do roqueiro baiano ter entregue o parceiro musical e co-idealista da Sociedade Alternativa à Ditadura. Documentos inseridos no livro mostram que poucas semanas depois que Raul foi interrogado no Dops (Departamento de Ordem Policial e Social), Coelho foi preso e torturado, em maio de 1974. O autor já tinha conhecimento sobre o fato porque teve acesso a um documento via o Arquivo Público do Rio de Janeiro, o qual citava que o órgão chegou até ele por intermédio de Seixas. Isso foi mencionado em reportagem da Folha de São Paulo, de hoje.

As letras de Raul e Paulo estavam sempre no radar dos militares. No entanto, a dupla conseguiu driblá-los algumas vezes, como em “Mosca da Sopa” (animal que incomodaria, mas ninguém conseguiria exterminá-lo) e “Ouro de Tolo” (uma crítica à sociedade alienada pelo consumo implantado no país, como uma forma de desfocar todos da violência realizada pelo regime militar).

Mas sabe o que tirou o sono de muito milico? A tal Sociedade Alternativa. Durante depoimento no DOI-CODI, perguntaram a Paulo o que era essa sociedade porque tudo indicava que a mesma fosse subversiva, ligada a algum grupo socialista. Eles queriam porque queriam comprovar a existência da comunidade vermelha. Portanto, invadiram a casa de Raul atrás de documentos comprometedores sobre a sua fundação e bateram em Paulo. Mas nada encontraram.


Nesse mesmo período, a Sociedade Alternativa virava faixa do segundo disco do roqueiro que o tinha na capa usando uma boina à la Che Guevara. Sobre isso os militares não fizeram nada porque não souberam a tempo, mas em relação a canção, ela foi proibida nos shows. A perseguição era tanta que Raul se autoexilou em Nova York em meados de 74. Mas nesse mesmo ano voltou ao Brasil devido ao sucesso de Gita.

Também teve o episódio sobre o significado da expressão “Krig-ha, bandolo!”, título do primeiro disco solo de Raul. Quem disse que eles acreditaram que ela apenas um grito proferido pelo Tarzan que significa: Cuidado com o Inimigo? Obviamente, eles acharam que o inimigo era o governo.

Paulo Coelho foi preso três vezes pela Ditadura. Duas delas foram reveladas com detalhes pelo próprio autor. A prisão relacionada com essa suposta delação de Raul aconteceu em maio de 1974. De acordo com detalhes escritos por ele próprio em um artigo para o Washington Post como repúdio às ordens de comemoração pelo Golpe de 64 de Jair Bolsonaro, ele foi torturado com socos, pontapés, choques elétricos. Ficou trancafiado em um cubículo escuro e frio, sem saber o motivo de tudo aquilo. Nesse relato, ele menciona que décadas depois teve acesso aos documentos do seu caso, soube que foi denunciado, mas quis saber naquele momento quem o teria delatado porque essa informação em nada mudaria a violência sofrida.

Foi no Arquivo Público carioca que ele viu o nome de Raul associado à sua prisão.

A outra prisão aconteceu em 1969 quando passava por Ponta Grossa (PR). Confundido com um guerrilheiro que poderia ter acesso a Che Guevara, ele e a namorada foram presos e torturados. Esses momentos de terror são descritos por ele também em seu livro Hippie, lançado no ano passado.

Um mês após ser torturado, Paulo se exila em Nova York com Raul.

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