• Por: Maria Rita Werneck

Entenda por que você deve assistir Lazarus - musical escrito por Bowie


“Estar vivo. Não vivo respirando porque a maioria das pessoas que respiram não estão realmente vivas”

Como será a vida de um humanoide? Será que ele vive de verdade ou só cumpri a vital atividade de respirar? Se pegarmos Thomas Newton, personagem principal de Lazarus, podemos afirmar que esse extraterrestre vive sob crises humanas norteadas pelo desejo de voltar para casa, alcoolismo e outros vícios.

O texto do musical Lazarus foi escrito por David Bowie e Enda Walsh, em 2015, e é baseado no romance “O homem que caiu na Terra”, de Walter Travis, o qual em 1976, deu origem a um filme homônimo ao livro onde Thomas Newton foi interpretado pelo Camaleão do Rock. Depois de receber várias montagens pelo mundo, o espetáculo chega ao fim da primeira temporada no Brasil sob direção de Felipe Hirsch.

Como já adiantamos, Lazarus conta a história de Thomas Newton, um alienígena que chega à Terra para salvar seu planeta natal, Anthea. O E.T. tenta algumas vezes voltar para casa, sem sucesso. Depois de anos vivendo com os humanos, ele constrói um segundo foguete, agora com detritos, e retoma os planos de retorno. O personagem interpretado por Jesuíta Barbosa traz muitos conflitos e questionamentos sobre sua vida neste mundo, onde muitos o vêem como um louco rico solitário e alcoólatra por não saberem da sua real identidade.

Com direção musical de Mariá Portugal e Maria Beraldo (ambas tocam no musical ao lado de Fábio Sá), Lazarus apresenta 18 canções de diversas fases do repertório de Bowie, inclusive, do último trabalho do artista, Blackstar, disco lançado 02 dias antes dele morrer em 10 de janeiro de 2016. No palco, as letras das canções são fragmentadas e projetadas, ajudando a construir a atmosfera densa da cenografia marcada por um palco que se move e ganha projeções. No elenco formado por 11 atores, estão nomes como Bruna Guerin, Rafael Losso e Carla Salle.

Lazarus começou a ser produzido a partir de 4 folhas escritas por Bowie. Nas iniciais anotações, havia o desejo do artista escrever uma história misturando suas canções com a presença de Thomas Newton, um personagem muito importante na carreira do inglês. Três personagens foram criados por ele - a Garota (Bruna Guerin), o assassino (Rafael Losso) e a mulher que pensava ser Emma Lazarus (Carla Salle) - poetisa americana que escreveu “O Novo Colosso” - impresso na Estátua da Liberdade.

Quem acompanha a carreira de David Bowie sabe que nunca uma produção é comum e apática. Estar sempre um passo à frente da contemporaneidade permitiu que as pessoas lhe chamassem de genial e o transformou em uma das mais influentes personalidades da cultura pop. Com Lazarus foi assim. Pegando carona nas interpretações de alguns fãs sobre Blackstar que fazem do disco uma mensagem de despedida do cantor, o musical é visto por algumas pessoas como uma retrospectiva de sua vida. Os dramas, as crises e os conflitos vividos por Thomas nada mais eram do que desabafos do inglês dramatizados.

Se Lazarus foi ou não escrito para ser uma despedida desse plano em grande estilo, ainda (ou nunca) não saberemos. Mas o que importa é que o musical está imperdível para quem gosta de uma trama que mistura ficção científica, drama, uma leve pitada de comédia e, claro, David Bowie. Agora corre, porque ficará em cartaz até 27/10 (domingo), no Teatro Unimed (Alameda Santos, 2159). Ingressos aqui.

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