• Por: Maria Rita Werneck

Vamos falar sobre Patti Smith?


Com quase cinco décadas de carreira é curioso que Patti Smith nunca tenha trazido à São Paulo sua arte. Esse deslize do destino será corrigido nessa semana com três apresentações marcadas na capital paulista, de 14 a 16/11, sendo a primeira no Sesc Pompeia - um bate-papo sobre seus mais recentes livros “Devoção” (2017) e “O Ano do Macaco (2019), a segunda no Popload Festival (ela será headline do evento) e a última no teatro Simón Bolívar (um show intimista e beneficente). A única vez que Smith esteve em solo brasileiro foi em 2006, quando passou por Curitiba e Rio de Janeiro.


Essas são as oportunidades que muitos fãs estavam esperando para ver pessoalmente essa mulher que é precursora do punk rock e um dos maiores nomes do ativismo social e ambiental. Vale lembrar que o primeiro disco de Patti, “Horses” (1975) é uma das principais vértebras da espinha dorsal do estilo e suas letras/poesias sempre conduziram o público a uma reflexão e conscientização sobre um mundo mais justo e sustentável. As redes sociais da artista davam indícios que ela não demoraria mais tempo para vir ao Brasil. Com uma rotina de shows em várias partes do mundo, logo chegaria a vez da gente recebê-la.

Ainda bem que aconteceu logo!

Em paralelo à vida musical, a literatura sempre conduziu os caminhos da “poeta do punk”. Por ser uma leitora voraz desde criança, os livros (destacando os de poesia) foram seus grandes amigos e responsáveis por levá-la aos palcos. Seus embrionários poemas escritos já em Nova York, quando chegou aos vinte anos, foram o cartão de visita dela por muito tempo na Big Apple. Quantas amizades e contatos realizados a partir daqueles versos que traziam um pouco da angústia da jovem ainda em processo de construção e da esperança que a fazia sair da cama todos os dias.

Entre um poema e outro, experiências no teatro de vanguarda novaiorquino, onde começou a firmar sua personalidade de palco. O cabelo imortalizado em “Horses” foi cortado nessa época, quando se inspirou em uma foto de Keith Richards. Amigos da música, como Jimmy Hendrix e Janis Joplin, estiveram em seu caminho (infelizmente esses por muito pouco tempo) e a ideia de juntar seus poemas como melodias logo a levaria a formar sua primeira banda, seguindo o conselho de Sandy Pearlman, crítico musical e grande amigo.

Infelizmente, vamos parar um pouco essa pseudo-biografia da Patti porque a intenção dessa matéria é falar sobre um grande barato que eu tenho curtido desde que eu comecei a ler Só Garotos: me jogar de cabeça nas referências artististicas que a artista compartilha com o leitor tanto dessa publicação (lançada em 2010 e vencedora do National Book Award) quanto em Linha M, seu segundo livro de memórias, publicado em 2015.

Ouvir e/ou ler Patti Smith é muito mais do que consumir arte. É alimentar-se de ambas. Das citações que imprime em seus escritos musicados ou não conhecemos quem e o que a formou como pessoa e artista, existindo, assim, uma excelente maneira de ampliarmos o nosso repertório cultural. É impossível terminar um capítulo escrito por ela sem conhecer um novo filme, escritor, música, obra de arte, lugar. Tem post-it por quase todas as páginas dos meus Só Garotos e Linha M...tipo marcação para pré-vestibular, sabe? 

Como são muitas anotações, vou separá-las em dois momentos. O primeiro serão as de Linha M e logo depois, voltou com outro artigo sobre o que eu gostei de encontrar em Só Garotos. Obviamente, não coloquei todas as referências porque quero incentivá-los a ler os dois livros e sozinhos mergulharem nesse novo universo cultural que se abriu para mim e que, com certeza, também se abrirá para vocês. Quis dar destaque às obras literárias por motivos óbvios, né minha gente? É sempre bom saber o que uma leitora do porte de Patti Smith leu. Vamos lá?

Linha M

1. Livros

Winter Trees - Sylvia Plath

The Petting Zoo - Jim Carrol

Cartas da Islândia - Auden

Caçando Carneiros - Haruki Murakami

Dance, Dance, Dance - Haruki Murakami

Kafka à beira-mar - Haruki Murakami

Crônica do pássaro de Corda - Haruki Murakami

Moby Dick - Herman Melville

O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë

A vida fabulosa de Diego Rivera - Bertram D. Wolfe

O Jovem Törless - Robert Musil

Amuleto - Roberto Bolaño

2. Filmes

Quando fala o Coração - Alfred Hitchcock

A Dama de Shangai - Orson Wells

Millenium: Os homens que não amavam as mulheres

o evangelho segundo São Mateus - 

3. Lugares

Cafe’ Ino - New York

Saint-Laurent-du-Maroni - Guiana Francesa

Café Pasternak - Alemanha

Café Zoo - Alemanha

cemitério Dorotheenstadt

Casa Azul - Frida Kahlo

4. Músicas

Shrimp Boats - Buddy Tate and Abdullah Ibrahim

Big Girls Don’t Cry

5. Séries de Tv

The Killing 

Law & Order: Criminal Intent

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