• Por: Maria Rita Werneck

Morre Marie Fredriksson, vocalista do Roxette


Eles foram duas das vozes mais marcantes dos anos 90 e hoje uma delas se calou depois de 17 anos ano lutando contra um câncer. A Marie Fredriksson, cantora da banda sueca Roxette teve a morte divulgada na manhã de hoje (10), por seu empresário, aos 61 anos.

Em 2002, depois de um desmaio, Fredriksson foi diagnosticada com um severo tumor no cérebro. Todos os tratamentos foram realizados e, em 2005, a cantora declarou em entrevista que estava saudável, apesar das sequelas que havia adquirido, como a perda de parte da visão de um dos olhos e diminuição dos movimentos do lado direito do corpo.

Ao lado de Per Gessle, Marie formou uma das mais bem sucedidas duplas do pop mundial. Foram ao todo 10 álbuns de estúdios e incontáveis coletâneas que traziam seus grandes sucessos, como "Spend My Time", "The Look", "Crash!Boom!Bang!", "Listen To your Heart" e o maior hit deles, "It Must Have Been Love".

Veja esse clipe, pouco divulgado, de "It Must Have Been Love", realizado antes das festas Natalinas de 1987.


Em sua conta no Twitter, Per revelou que os dois passaram dias e noites no apartamento dele “compartilhando sonhos impossíveis” e que era honrado por ter “compartilhado seu talento e generosidade. As coisas nunca mais serão as mesmas”, escreveu.

Marie Fredriksson e o Roxette

Sabe qual era brincadeira preferida da criança Marie Fredriksson quando ficava sozinha em casa, na pequena cidade sueca de Östra Ljungby? Cantar em frente a um enorme espelho, projetando a voz para que ela saísse similar a da cantora e atriz Olivia Newton-John. O talento musical da menina para o canto e instrumentos começou a despertar a atenção dos adultos que a incentivava se apresentar para os amigos da família.


Na adolescência, Deep Purple e Beatles tomaram o lugar de Olivia Newton-John e Marie passou a conhecer outros mundos musicais, principalmente, porque foi nessa época que ela começou a estudar em uma escola de música. Daí vieram as apresentações em teatros, a primeira banda (Strul) e os festivais. Foi só na segunda banda (MaMas Barn) que ela conheceu quem seria seu grande parceiro musical: Per Gessle. Eles se conheceram quando ambos dividiam o mesmo estúdio já na cidade de Halmstad, também na suécia. Foi Gessle que conseguiu tirar Marie um pouco de trás dos teclados. Ele achava que ela tinha uma voz muito bonita para ser escondida pela timidez enfrentada com o uso do instrumento.

A ideia da junção de Marie e Per -  que mais tarde se tornaria o Roxette - foi desacreditada por todos, principalmente, porque as pessoas diziam que ela tinha muito talento para se unir a um ex-integrante de uma boy band inexpressiva sueca. Mas o que ninguém poderia imaginar é que a diferença entre eles foi a grande cereja do bolo daquele projeto que havia sido planejado para ser apenas um disco gravado em inglês para circular na Europa em meados dos anos 80. Completamente despretensioso.

O nome Roxette veio da ex-banda de Per (Gyllene Tider), grupo para quem Marie também fes alguns backing vocals. O conjunto sueco usou o termo quando tentaram lançar um disco nos EUA. Em 1986, Marie e Per, já como uma dupla, lançaram o primeiro álbum que teve alguma projeção na Suécia. Mas foi com o segundo trabalho, Look Sharp!, de 1988, que eles ultrapassaram as fronteiras suecas e chegaram ao topo da Billboard Hot 100 com o hit The Look. É desse trabalho as canções “Dressed for Success” e “Listen to Your Heart”. E essa capa?! É muito anos 90!!!!!

Dois anos depois, ele alcançam um dos maiores desejos de artistas do mundo todo, principalmente, dos iniciantes. Fazer parte da trilha sonora de um filme que traria como atores os grandes nomes do momento. Na época, Julia Roberts era a queridinha de Hollywood e Richard Gere o sonho de consumo de milhares de pessoas. “It Must Have Been Love” entra para o soundtrack de Uma Linda Mulher. Já consagrados internacionalmente, em 1991, lançam o terceiro álbum, Joyride – mais um álbum de platina garantido.

Nessa época no Brasil, o Roxette era também trilha constante nas novelas da Globo, o que ajudou ainda mais a projetá-los no país. De Joyride, “Spending My Time” foi para o disco internacional de Perigosas Peruas, “novela das 7” que trazia uma triangulo amoroso formado por Vera Fischer, Mario Gomes e Silvia Pfeifer. Audiência super garantida. O sucesso da dupla sueca por aqui era tão grande que ele vieram várias vezes. Uma das passagens mais memoráveis aconteceu no Rio de Janeiro, em 1992, no auge da dupla que lotou a Praça da Apoteose em maio daquele ano.

Curiosamente, depois de Joyride, o Roxette foi perdendo força. Devido aos inúmeros shows e a velha pressão da gravadora, não havia tempo para produzir um novo disco, então a solução veio da remasterização de canções que ficaram de fora dos álbuns anteriores e gravações de apresentações ao vivo. Tudo foi embutido no Tourism: Songs from Studios, Stages, Hoteirooms & Other Stranger Places, a primeira de inúmeras compilações, lançada em 1992. Fez sucesso? Fez. Mas nada comparado a Joyride.

Entre um disco e outro, a gravação de um MTV Unplugged (Roxette foi o primeiro artista de língua não inglesa a participar do projeto) e outra trilha para o filme, sendo agora o single “Almost Unreal”, para Abracadabra, divertida aventura infanto-juvenil sobre três bruxas interpretadas por Sarah Jessica Parker, Bette Midler e Kathy Najimy. Se você tem mais de 30 anos, com certeza, assistiu esse longa na Sessão da Tarde.

De 1994 em diante, parecia que a carreira do Roxette estava perdendo forças. Apesar dos bem sucedidos Crash!Boom!Bang! (94) e Room Service (2001), a chegada dos anos 2000 trouxe uma sombra para os suecos e o excesso de coletâneas lançadas desgastaram o trabalho da dupla que a essa altura completa quase 20 anos de carreira.Um ano depois de Room Service, Marie descobriu o tumor no cérebro e durante a recuperação dessa fase, ela decidiu produzir seu primeiro disco solo em inglês (The Change)– vale lembrar, que ela já havia lançados trabalhos individuais, mas em sueco. O tema desse trabalho, obviamente, foi todo voltado a esse processo inicial de superação do câncer.

Roxette manteve um hiato de quase cinco anos. Em 2009, eles voltaram a se apresentar, se tocando inclusive no casamento da Princesa Sueca, Victoria. Um ano depois, saíram em turnê mundial e divulgaram dois singles e o novo álbum Charm School. Parecia que tudo estava voltando ao normal: shows, discos produzidos, comemoração pelos 25 anos de “The Look”, um documentário (Roxette Diaries). Estamos falando de 20013 a 2016, quando um comunicado informou que a turnê “The Neverending World” seria interrompida devido a saúde de Marie. Seus médicos não queriam que ela se apresentasse mais ao vido. Nesse mesmo ano, foi lançado o último disco de estúdio do Roxette, Good Karma.

Marie deixa o marido, Mikael Bolyos, e dois filhos, Inez Josefin e Oscar Mikael.

"Infelizmente, agora meus dias de turnê terminaram e quero aproveitar esta oportunidade para agradecer aos nossos fãs maravilhosos que nos seguiram em nossa longa e sinuosa jornada".

(Marie Fredriksson, 2016)

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