• Por: Maria Rita Werneck

Veja os melhores momentos do Globo de Ouro 2020


A 77ª cerimônia do Globo de Ouro, realizado ontem, em Los Angeles, foi marcada por surpresas que desbancaram favoritos da noite, um mestre de cerimônia polêmico e alguns discursos que relembraram com consternação o gigantesco incêndio da Austrália e as recentes investidas bélicas dos EUA no Oriente Médio.

Na categoria cinema, os diretores Quentin Tarantino (Era uma vez em... Hollywood) e Martin Scorsese (O Irlandês) lideravam as apostas para o prêmio de Melhor Diretor. No entanto, quem levou a estátua foi Sam Mendes, por “1917”, cujo o roteiro conta a história de dois soldados que precisam atravessar o território inimigo durante a Primeira Guerra Mundial para entregar uma mensagem que pode salvar milhares de vidas. Durante o longa, que foi escolhido na noite como o Melhor Filme Dramático, temos a impressão que grande parte dele foi filmado em plano sequência. Ainda na sessão Drama, os melhores atores foram Joaquin Phoenix, por Coringa, e Renée Zellweger, por Judy – Muito Além do Arco-Íris.

A cara de Joaquin Phoenix logo após o anuncio da sua vitória virou meme, mas nada se comparou aos comentários sobre o agradecimento polêmico que ele fez, com direito a prêmio apoiado no chão e tudo. Palavrões e um tom de provocação à indústria cinematográfica permearam o discurso do astro.

“Todos nós sabemos que não há p***a nenhuma de competição. Eu sou uma p***a de estudante de vocês. Eu não acredito no trabalho lindo, singular e impactante que vocês fizeram, me sinto realmente honrado de ser listado com vocês”.

Ainda sobre "Coringa", seu soundtrack mereceu levar para casa o prêmio de Melhor Trilha Sonora Original para Filmes, sendo a responsável pelo mérito a musicista e compositora irlandesa Hildur Guðnadóttir. Ontem, Sir Elton John e seu parceiro musical Benie Taupin venceram na categoria Melhor Canção Original. "I'm Gonna Love Me Again", compôs a trilha da cinebiografia Rocketman.

Os prêmios de Melhor Roteiro, Melhor Ator Coadjuvante (Brad Pitty) e Melhor Filme Cômico ou Musical ficaram com o celebrado Era uma vez em...Hollywood. No discurso de agradecimento, Brad destacou que todos os outros atores que estavam concorrendo com ele naquela noite sempre são seus heróis desde o início da sua carreira - e não é para menos: ele competiu com Tom Hanks, Anthony Hopkins, Al Pacino e Joe Pesci. Ele dedicou o prêmio a Leonardo Di Caprio (o LDC, como ele mesmo o chamou), seu parceiro na trama que retrata uma Los Angeles prestes a perder a “inocência” com os crimes da família Manson, no final dos anos 60, como enfatizou Tarantino algumas vezes sobre seu filme.

Agora só um adendo: quando que as câmeras vão parar de procurar Jennifer Aniston (indicada a Melhor Atriz de Série para TV / The Morning Show) quando Brad Pitt estiver no palco de uma premiação. Ontem não deu outra. Quando o ex-marido da eterna Rachel (Friends) desejou a presença da mãe na festa, brincando sobre a chance de dizerem que ela poderia ser sua namorada, logo Aniston foi focada, rindo da piada do ator. Ela estava indicada como Melhor Atriz em Série de Drama, porém o prêmio ficou com Olívia Colman (The Crown).

É incontestável que o grande destaque da noite foram para os discursos dos vencedores e homenageados. Entre as mulheres, Patricia Arquette (vencedora como Melhor Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme para TV / The Act) e Michelle Williams (vencedora como Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para TV / Verdon Fosse) brilharam. Arquette, levou ao palco um desabafo sobre o medo de que o mundo viva uma nova guerra mundial devido aos últimos acontecimentos entre os EUA e Irã e relembrou o avassalador incêndio na Austrália.

“Sou grata por estar aqui e celebrar mas sei que hoje, 5 de janeiro de 2020, não vamos olhar para trás nessa data. Nos livros da História veremos um país à beira de uma guerra. Os Estados Unidos da América, um Presidente tuitando sobre a ameaça de 52 bombas incluindo sítios culturais. Jovens arriscando suas vidas e viajando através do mundo. Pessoas sem saber se as bombas vão cair em cima de seus filhos e o continente da Austrália em fogo”, ela disse emocionada. “Por isso por mais que ame meus filhos, eu imploro a todos a dar a eles um mundo melhor. Por nossos filhos e que os filhos deles, nós temos que votar em 2020 e nós temos que ter, eu imploro e peço a todos que conhecemos que votem em 2020”.

Michelle enfatizou o poder da escolha na vida de uma mulher e como isso reflete em uma maior projeção da população feminina na sociedade.

“Eu tentei fazer o meu melhor para viver minha vida como quis e não como uma série de eventos que aconteceram para mim. Uma vida onde poderia olhar para trás e ver a minha escrita, algumas vezes rabiscada e outras precisa e cuidadosa. Escrita por mim. E não poderia ter essa vida sem usar o poder de escolha de uma mulher”, ela disse. “Poder escolher ter meus filhos e com quem. Minhas escolhas podem parecer diferentes das suas, mas agradeço a Deus, ou para quem quer que você reze, que nós vivemos em um país fundado no princípio de que sou livre para viver de acordo com a minha fé ou que você é livre para viver a sua. Então, mulheres de 18 ou 118, quando for a hora de votar façam isso pensando em vocês apenas. É o que os homens têm feito há anos e a razão pelo qual o mundo é como eles são, mas não se esqueça que somos maioria nos votos nesse país. Vamos fazer com que o país se pareça mais como a gente”.

Foi difícil não se emocionar com a apresentação que Kate McKinnon fez de Ellen DeGeneres, ganhadora do prêmio Carol Burnett. A comediante além de se colocar como uma grande fã de DeGeneres, falou sobre a importância que ela teve em seu processo de empoderamento quanto uma mulher gay. McKinnon relembrou que em 1997, Ellen assumiu sua homossexualidade em seu sitcom, fato que mudou para sempre a vida da jovem atriz.

“Em 1997, quando o sitcom de Ellen estava no auge de seu sucesso, eu estava no porão da casa da minha mãe levantando peso em frente ao espelho me perguntando: “Será que sou gay?”. E eu era, ainda sou”, ela declarou com lágrimas nos olhos. “Mas é algo apavorante de de repente descobrir isso sobre você mesma. É como estivesse completando 23 anos e descobrindo que tenho um DNA de alienígena. E a única coisa menos apavorante era ver Ellen na TV. Se não a visse na TV eu teria pensado ‘eu nunca poderei estar na TV. Eles não aceitam pessoas LGBTS na TV’. Pior ainda, eu seguiria pensando que eu era uma alienígena e que eu talvez não tivesse o direito de estar aqui. Então obrigada Ellen, por ter me dado uma chance de uma vida boa.”

Outro momento bastante emocionante foi na entrega do prêmio Cecil B. Demille a Tom Hanks, que também concorria na categoria de Melhor Ator Coadjuvante. O clipe que sintetizou a carreira do astro que estava ao lado da esposa e dos filhos já embargou voz de muita gente. Quantos trabalhos incríveis, importantes para a indústria cinematográfica e nostálgicos. Pelo menos para mim. Relembrei de várias fases da minha vida durante as rápidas cenas apresentadas.

Com um discurso longo, Hanks agradeceu à família e destacou a importância do reconhecimento de todos os trabalhos envolvidos em um set: “Se não tiver foco, o filme não sai”, pontuou. Ele estava tão emocionado quanto a atriz Charlize Teron, responsável por chama-lo não palco. A sul-africana lembrou que por causa da generosidade do Forest Gump, mesmo não tendo ido tão bem no teste, ele deu uma segunda chance e ela conseguiu o papel.

Mas entre falas adoráveis, emocionantes, políticas e engraçadas, estava o humor ácido do mestre de cerimônia da noite, Ricky Gervais. O ator, que pela quinta vez apresentava a premiação, foi ofensivo muitas ironizando a vida pessoal e a forma física de alguns convidados, além de perder o tom em momentos que abordadas temas delicados como Estado Islâmico. O seu monólogo beirou muitas vezes o absurdo quando, por exemplo, disse que 2019 foi um "Foi um grande ano para filmes de pedófilos: 'Surviving R. Kelly', 'Finding Neverland', 'Dois papas'." Fora que ele chamou de vegetais, os jornalistas que trabalham na Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood entidade responsável pelo Golden Globes, quando apresentada o porta-voz da HFPA.

Uma das maiores surpresas da noite foi a animação Link Perdido ganhar como Melhor Filme Animado, desbancado nada menos do que Frozen 2, Toy Story 4, Como Treinar seu Dragão 3 e o acalmado Rei Leão. Dirigido por Cris Butler, a produção em stop-motion conta a saga de um investigador de mitos e monstros que precisa provar a existência de um primitivo para ganhar respeito.

Mas o que não foi surpresa para ninguém (pelo menos, não para mim) foram as várias subidas ao palco da equipe de Fleabag, série produzida pela Amazon Studios. Já no Emmy do ano passado, o sucesso da série entre a crítica especializada já se destacava e o Globo de Ouro veio só ratificar isso, dando ao conteúdo o prêmio de Melhor Série Musical ou Cômica. Phoebe Waller-Bridge - protagonista, roteirista e criadora de Fleabag - ganhou como Melhor Atriz em Série Musical ou Cômica, com declaração à Barack Obama (SEM SPOILLER!!!! Siga o conselho de Phoebe e assista os primeiros episódios da 1ª temporada para entender o que ela disse em seu agradecimento). Andrew Scott, foi escolhido como Melhor Ator Coadjuvante Melhor Ator Coadjuvante em série, minissérie ou filme para TV pelo papel de "O Padre".

Ontem, Phoebe, mais uma vez, deu a entender em entrevistas, que Fleabag não terá uma terceira temporada, apesar de ser uma das séries mais admiradas do momento.

Veja a relação completa dos premiados aqui.

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