• Por: Maria Rita Werneck

Grammy 2020 - muito do mesmo.


Ontem era para ser um dia de festa para a música, mas a 62ª edição do Grammy Awards foi surpreendida com a tragédia da morte do ex-jogador de basquete Kobe Bryant, vítima de um acidente de helicóptero, aos 41 anos. O atleta estava ao lado da filha, Gianna (13 anos), e de outras nove pessoas.

O evento teve que ser seguido e as homenagens a Kobe renderam momentos emocionantes à programação (eu diria os mais emocionantes, inclusive), como o tributo ao rapper Nipsey Hussle (morto em 2019), realizado por John Legend, DJ Khaled, Kirk Franklin, Meek Mill, Roddy Ricch e YG, o qual se estendeu ao a imagem do atleta.

Em comparação a cerimônia do ano passado, o Grammy 2020 não teve muitos momentos marcantes. O que me fará lembrar dessa edição futuramente será o show de abertura da Lizzo, a apresentação-retorno aos palcos de Demi Lovato (com uma das melhores apresentações vocais que eu já vi dela) e o feat extasiante entre Lil Nas, BTS, Diplo, Billy Ray Cyrus e Mason Ramsey para a ‘puro grude’ “Old Town Road”. Nem a celebrada Billie Eilish ao lado do irmão, Finneas O’Connel, conseguiu brilhar tanto ou mais do que seu figurino Gucci com a música “When the Party’s Over”, um paradoxo para a mulher mais jovem a ganhar, de uma só vez, os maiores prêmios oferecidos. De fato a noite foi dela, no entanto a performance que ela fez no Billboard 2019 foi muito mais impactante do que a de ontem. Mas seguimos adorando tudo que ela faz porque é original.

Alicia Keys foi novamente a mestre de cerimônia e desta vez se limitou a poucos números musicais: um ao lado do grupo Boyz II Men (fazendo uma homenagem a Kobe Bryant) e outra ao piano, citando vários presentes da festa na letra que trazia uma mensagem que a música “cura”.

Sem muitas surpresas, os gramofones foram parar em mãos já tidas como favoritas. A maior vencedora da noite foi Billie Eilish, ganhadora das categorias de Melhor Álbum do Ano (When We All Fall Asleep, Where do We Go), Artista Revelação, Gravação do Ano (Bad Guy), Melhor Canção do Ano (Bad Guy) e Melhor Álbum de Pop Vocal. Vale ressaltar que seu disco de estreia foi todo gravado com o irmão (ganhador do Grammy de Melhor Produtor) no quarto dos pais.

Faz tempo que o Pop e o Rap ofuscaram o Rock das premiações do Grammy. Foi-se o tempo em que Melhor Disco do Ano ou Melhor Música do Ano era do gênero. Mas na noite de ontem, o Aerosmith levou o bom e velho rock n’ roll para a cerimônia. O grupo de Boston foi homenageado pelos 50 anos de carreira e apresentaram dois dos seus maiores hits: “Livin’ On the Edge” e “Walk this Way”, esta ao lado do Run- DMC. Esse feat é antigo. Em 1986, eles se uniram para uma versão da música que ganhou um clipe que ajudou a derrubar a barreira do preconceito racial na MTV Americana. Até então, eram poucos os negros que passavam na emissora de clipes em horários tidos como nobres. Depois do sucesso do videoclipe, as faixas horárias começaram a ficar mais coloridas, levando diversidade musical, racial e cultual para a casa das pessoas.

Para mim essa não foi lá uma das melhores apresentações da banda. Senti a voz de Steven Tyler cansada, sem muitos rasgados e Joe Perry ainda me passa insegurança quando sola. Não sei se reparou, mas no mesmo trecho de “Livin’ On The Edge” que ele errou o solo no polêmico show de Las Vegas, Tyler agora faz improvisos vocais com ele . Será que é uma forma de encobrir alguma falha do guitarrista?

Dois ícones dos anos 80 ressurgiram com força nessa edição. Prince foi homenageado por Usher, que cantou grandes sucessos do artista morto em 2016, como Kiss. A facilidade vocal e as habilidades na dança fizeram da apresentação um dos grandes acertos da noite. Só não entendi porque demorou tanto para o Grammy celebrar o músico que tanto contribuiu com a música mundial. Cindy Lauper fez parte de outro tributo, desta vez em homenagem a Ken Ehrlich, produtor e diretor de TV americano. Acho que tinham umas doze pessoas no palco, entre elas Camila Cabello que fazia sua segunda apresentação da noite.

Não podemos esquecer de falar de Tyler, The Creator, ganhador do Melhor Disco de Rap, com Igor (simplesmente, ouça!). Antes de carregar do gramofone, ele fez a incrível performance de “Earfquake” e “New Magic Wand”.

Antes de encerrar essa resenha, claro que tenho que falar da dona do pedaço nesse momento, dividido com Lizzo e Billie Eilish. Estou falando de Rasalía que conseguiu um feito muito maior do que o Grammy de Melhor Álbum Latino. Ela foi a única artista a ter um disco totalmente em espanhol indicado como Melhor Álbum do Ano. A atriz cantora se disse surpresa por fazer parte das indicações e fez uma apresentação maravilhosa com o seu autêntico flamenco pop.

Veja a lista completa dos vencedores clicando aqui.

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