• Maria Rita Werneck

A Cultura da Mídia

Não é de hoje que a mídia exerce um poder controlador e coesivo na sociedade. Diante da explosão das mídias digitais, encabeçadas pelas redes sociais, os tradicionais meios de comunicação tão persuasivos (televisão, rádio e cinema) tão persuasivos quanto elas acabaram sendo menosprezados sobre suas atuações quando o assunto é manipulação da massa.


O documentário The Social Dilemma (dir. Jeff Orlowski, 2020) impactou muita gente com as revelações sobre a nociva influência que as empresas de comunicação digitais, a exemplo do Facebook, Instagram e Youtube, tem na sociedade contemporânea, provocando malefícios que vão de danos físicos a mentais, em nível pessoal a global. Tudo foi dito por profissionais da área - inclusive muitos deles ajudaram essas empresas a se tornarem os grandes gigantes que são -, o que deixou tudo mais dramático e apocalíptico.




Contudo, a dica de leitura do Da Orelha ao Fim desse mês, não é sobre os impactos da era digital na nossa vida, mas sim sobre a manipulação que os vovôs dos smartphones produziram em nossa sociedade contemporânea e, consequentemente, permitiram a chegada a esse nível de controle social tão preocupante que estamos vivendo recentemente.


Em A Cultura da Mídia, o professor de filosofia Douglas Kellner apresenta uma crítica ferrenha à influência que a TV, cinema e rádio produziram na sociedade das décadas de 1970 à 1990, principalmente. Valendo-se de fatos históricos que se tornaram conhecidos mundialmente sob o âmbito político e cultural, Kellner analisa uso, nem sempre sutil, dos meios para manipular as pessoas de modo que elas produzissem comportamentos ou respostas que atendessem os objetivos daquele grupo manipulador.


Para exemplificar com essa articulação dos signos culturais e comunicacionais podem transitar por diversas camadas da sociedade, Kellner transita pela Guerra do Golfo, revê a devastação do orgulho norte-americano no pós- Vietnã, visita Madonna e o seu "Express Yourself" e relembrar personagens da cultura pop televisiva, aparentemente inofensivos, como o desenho animado Beavis & Butt-head (MTV).


Tudo é apresentado em uma linguagem clara, direta e cheia de referências da filosofia e da teoria da comunicação, como Roland Barthes. Uma ótima fonte de pesquisa para quem gosta de estudar sobre a influência da comunicação na contemporaneidade.

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